
Passeio de barco privado · Ria Formosa
Grande passeio pela Ria Formosa: vilas históricas e piscatórias
Para quem quer ver tudo: Cacela Velha, Cabanas de Tavira, Quatro Águas, a Ilha de Tavira e Santa Luzia no mesmo passeio, num barco só para si. Cerca de 3h20, a partir de Tavira ou da Praia da Fábrica, conforme a maré.
- Duração3h20
- SaídaTavira · Praia da Fábrica
- Desde35 €
Atualizado a · Titus Boat Tours, skipper local desde 2010
O percurso no mapa
Escolha o percurso e carregue em «Navegar» para seguir o barco pela ria. Toque num ponto do mapa para ver o que é.
Mapa esquemático: posições reais, canais aproximados.
O que vai ver, paragem a paragem
Tudo o que se vê do barco, com a história de cada sítio. O skipper conta-lhe o resto a bordo.
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Tavira e o Rio Gilão ao entardecerFoto: Titus Boat Tours 1Cidade
Tavira e o Rio Gilão
Subimos o Rio Gilão até ao centro. Da água vê-se a ponte antiga de sete arcos, os jardins da margem, o antigo Mercado da Ribeira, o castelo e as torres das igrejas: são mais de trinta na cidade. Repare nos telhados «de tesoura», de quatro águas, típicos de Tavira.
A história
Tavira nasceu no fim da Idade do Bronze e, no século VIII a.C., foi uma das primeiras povoações fenícias do ocidente da Península. Os mouros construíram o castelo e as mesquitas. D. Paio Peres Correia conquistou a cidade em 1242. O terramoto de 1755 destruiu grande parte dos edifícios, e a cidade foi reconstruída. A pesca e as conservas de atum foram, durante séculos, a grande riqueza de Tavira.
Sabia que? O rio muda de nome na ponte: para cima chama-se Séqua, para baixo Gilão. Chamam-lhe «ponte romana», mas a que vemos foi reconstruída em 1667 sobre uma travessia muito mais antiga. Tavira representa Portugal na Dieta Mediterrânica, Património Imaterial da UNESCO desde 2013.
Fontes: Tavira (Wikipedia), A ponte que muda o nome a um rio (Postal do Algarve)
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2Património
As fábricas de conservas
Na margem do Gilão, a caminho de Quatro Águas, ainda se vê a chaminé alta da antiga fábrica Tavirense. Do outro lado do rio ficava a Balsense. Era aqui que o atum das armações se cozia e enlatava em azeite.
A história
A Tavirense começou a produzir em meados de junho de 1917, um mês depois da Balsense, inaugurada a 9 de maio de 1917. Nesse ano havia no Algarve 184 fábricas de conservas e mais de 14 500 operários. Em Tavira havia ainda a fábrica de José Matos Parreira e a de Manuel e João Baptista Calça, que fazia conservas de atum e de sardinha em azeite. A Balsense fechou em 1971. Da Tavirense restam as ruínas e a chaminé.
Sabia que? Em 1898, o rei D. Carlos estudou a pesca do atum no Algarve a bordo do iate Amélia: as armações anotavam a hora e o número de atuns que entravam, e o rei comparava com a temperatura, a transparência e as correntes do mar. O estudo está digitalizado na Biblioteca Nacional.
Fontes: Tavirense, a antiga fábrica de conservas (Heritage Navigator), Tavira e a sua indústria (Folium, Universidade de Coimbra, 2024), D. Carlos, rei pioneiro no estudo da pesca do atum (Marinha)
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3Património
Arraial Ferreira Neto (antiga armação do atum)
Um conjunto de casas brancas, alinhadas à beira do rio, com capela, escola e um cais com uma grua manual. Era a aldeia dos pescadores do atum. Hoje é o hotel Vila Galé Albacora, que guarda um núcleo museológico sobre a pesca do atum e a vida das famílias do arraial.
A história
Foi desenhado em 1943 pelo engenheiro Sena Lino, depois de o mar destruir o arraial anterior, no Medo das Cascas, na Ilha de Tavira. Tinha casas para 150 famílias, escola, capela, posto médico e cinco cisternas de 150 mil litros. As capturas começaram a cair em 1961; na campanha de 1970/71 apanhou-se um único atum. É Imóvel de Interesse Público desde 2002.
Sabia que? Como funcionava uma armação: no mar, uma rede comprida desviava os atuns para um labirinto de redes fixas, presas ao fundo por centenas de âncoras. No fim, os barcos levantavam a última câmara de rede e os atuns eram puxados para bordo à força de braços e ganchos: era o copejo. Na primavera apanhava-se o atum «de direito», a caminho do Mediterrâneo; no verão, o «de revés», no regresso.
Fontes: Arraial Ferreira Neto (Wikipédia), Percurso «Os segredos e encantos da Ria Formosa», Câmara Municipal de Tavira, A história da pesca do atum no Algarve (Barlavento)
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4Cais
Quatro Águas
É o cais de onde sai o ferry para a Ilha de Tavira. Aqui o Rio Gilão chega à ria e cruzam-se os canais que vão para Cabanas e para Santa Luzia, junto à barra que abre para o mar. À volta há salinas, sapal, restaurantes de peixe e barcos de pesca.
A história
Ao longo da estrada de Quatro Águas ficavam as salinas e, a partir de 1917, as fábricas de conservas de atum. Junto ao cais fica o antigo arraial dos pescadores do atum, o Arraial Ferreira Neto.
Sabia que? Na primavera, as salinas entre Quatro Águas e Luz de Tavira enchem-se de flamingos.
Fontes: Percurso «Os segredos e encantos da Ria Formosa», Câmara Municipal de Tavira
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5Fortaleza
Forte do Rato (Santo António)
Junto à barra de Tavira, à beira da água, ficam as ruínas de um pequeno forte de pedra, com a porta de armas e as muralhas viradas para o canal. Foi a primeira defesa da entrada do rio.
A história
Foi mandado construir no reinado de D. Sebastião (1568–1578) para proteger a entrada do rio e a cidade dos ataques de piratas do Norte de África. Em 1573, quando o rei visitou Tavira, ainda estava em obras. Durante a construção, a foz do rio mudou-se para nascente e o forte perdeu parte da utilidade. Em 1654 passou a chamar-se Forte de Santo António. Em 1792 tinha nove homens e duas peças de artilharia; em 1821, três homens e nenhum canhão. Foi abandonado em 1840.
Sabia que? É Imóvel de Interesse Público desde 1983. Também se vê do percurso a pé de Quatro Águas, que a Câmara de Tavira recomenda.
Fontes: Fort Santo António, Tavira (Wikipedia), Percurso «Os segredos e encantos da Ria Formosa», Câmara Municipal de Tavira
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6Praia
Praia Deserta (Forte da Barra)
Na ponta poente da Ilha de Cabanas, mesmo ao lado da barra de Tavira, fica um areal sossegado onde só se chega de barco. De um lado entra o mar pela barra; do outro, a água da ria é calma e transparente.
A história
A barra de Tavira, aberta pelo homem e inaugurada em 1950, separa a Ilha de Tavira da Ilha de Cabanas. A Praia Deserta fica do lado de Cabanas, virada para a barra.
Sabia que? A Praia Deserta é um dos cais do nosso Aqua Táxi: levamos e vamos buscar, de dia e de noite.
Fontes: Ilha de Tavira (Wikipédia)
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A Praia da Fábrica, em frente a Cacela VelhaFoto: Titus Boat Tours 7Praia
Cais e Praia da Fábrica
O pequeno cais fica no fim da estrada que desce de Cacela Velha, e é daqui que sai o nosso barco da praia. À frente, do outro lado do canal, estende-se o areal da Praia da Fábrica, onde só se chega de barco. Na maré baixa aparecem bancos de areia e mariscadores na apanha de bivalves; na maré cheia, a água cobre tudo e fica cor de esmeralda.
A história
O nome vem da Fábrica de Cerâmica de Cacela, fundada em 1889 pela Companhia Algarviense. Funcionou de 1892 a 1930 e fazia tijolos, telhas e manilhas. A fábrica desapareceu, mas deu o nome ao sítio e à praia.
Sabia que? Do cais à praia são poucos minutos de barco: é a travessia que fazemos todos os dias, com bilhetes a partir de 1,50 €.
Fontes: O sítio do Algarve que deve o nome a uma fábrica de cerâmica (Postal do Algarve)
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8Vila
Cacela Velha
Do barco vê-se a aldeia branca no alto da arriba: a muralha da fortaleza, a torre da igreja e o casario caiado, com a ria aos pés. A arriba que segura a aldeia é uma arriba fóssil, com cerca de um milhão de anos. Ao fim da tarde, a luz deixa as casas douradas e é a vista mais fotografada deste lado da ria.
A história
Em 713 Cacela ficou sob domínio muçulmano, e o castelo é dos séculos IX e X. Aqui nasceu, em 958, o poeta Ibn Darraj al-Qastalli, «o de Cacela», um dos grandes poetas do al-Andalus. D. Paio Peres Correia conquistou Cacela em 1240 e D. Dinis deu-lhe foral a 17 de julho de 1283. O terramoto de 1755 arruinou a igreja, a Misericórdia e a câmara, e deitou abaixo os baluartes da fortaleza: os canhões foram parar à praia. Foi sede de concelho até 1775.
Sabia que? As escavações de 2007 confirmaram que aqui ficava a medina islâmica de Qast'alla Daraj. A aldeia é Imóvel de Interesse Público desde 1996.
Fontes: Cacela Velha (Wikipédia)
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9Fortaleza
Forte de São João da Barra
Logo a nascente de Cabanas, numa pequena colina sobre a ria, aparece uma fortaleza em forma de estrela, com quatro baluartes. Hoje é um hotel, mas a muralha, a porta de armas e as lápides da entrada continuam lá, viradas para a água.
A história
Foi mandado construir em 1656, durante a Guerra da Restauração, por Nuno de Mendonça, governador das armas do Algarve, para defender a costa de Tavira. Foi aumentado entre 1670 e 1672. O terramoto de 1755 danificou-o e foi recuperado em 1793, no reinado de D. Maria I. Em 1808, o capitão Sebastião Martins Mestre tomou-o aos franceses, com a ajuda da população. Teve guarnição até 1897 e foi posto da Guarda Fiscal até 1905.
Sabia que? Entre 1857 e 1865 funcionou aqui a primeira escola de rapazes da freguesia da Conceição. Em 1986 foi cenário do filme «À Flor do Mar», de João César Monteiro. É Imóvel de Interesse Público desde 1960.
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Cabanas de Tavira vista da Ria FormosaFoto: Titus Boat Tours 10Vila
Cabanas de Tavira e a sua ilha
A marginal de Cabanas tem barcos de pesca, esplanadas e um longo passeio junto à água. Em frente fica a Ilha de Cabanas, com um areal comprido e dunas: no total são cerca de 7 km de praia. Na maré baixa, o lodo do sapal enche-se de pequenos caranguejos-violinistas: o macho tem uma pinça enorme, que agita para chamar a fêmea.
A história
Por volta de 1734 instalou-se aqui a Armação dos Mares de Tavira, uma armação de atum. Os pescadores fizeram cabanas na costa para guardar as redes e dormir durante a safra: daí o nome. O primeiro nascimento registado é de 1757. Cabanas passou a freguesia em 1997 e a vila em 2001. O turismo chegou em 1973, com o primeiro empreendimento, as Pedras da Rainha.
Sabia que? O documentário «Almadraba Atuneira» (1961), de António Campos, foi filmado aqui. As praias de Cabanas têm Bandeira Azul desde 1989.
Fontes: Cabanas de Tavira (Wikipedia)
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11Praia
Ilha de Tavira
Uma ilha de areia com cerca de 11 km, entre a ria e o oceano. Do cais, um caminho atravessa as dunas até ao mar, com bares, restaurantes e um parque de campismo. De nascente para poente tem quatro praias: Ilha de Tavira, Terra Estreita, Barril e Homem Nu.
A história
A ilha já foi maior. Em 1926 abriu-se a primeira barra de Tavira, que partiu a antiga «Grande Ilha de Tavira» em duas; em 1941 um ciclone fechou-a e abriu outra. A barra atual, artificial, foi inaugurada em 1950 e separa a Ilha de Tavira da Ilha de Cabanas. Até 1943 houve na ilha um arraial da pesca do atum, no Medo das Cascas, destruído pelo mar.
Sabia que? A praia tem Bandeira Azul todos os anos. Quando o último ferry já saiu, o nosso Aqua Táxi faz a travessia, de dia e de noite.
Fontes: Ilha de Tavira (Wikipédia), Percurso «Os segredos e encantos da Ria Formosa», Câmara Municipal de Tavira
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12Praia
Terra Estreita
Do outro lado do canal, em frente a Santa Luzia, fica a Praia da Terra Estreita, na Ilha de Tavira. Tem um pequeno cais, um restaurante de praia e, a poucos minutos a pé pelas dunas, um areal extenso virado ao mar.
A história
Faz parte da Ilha de Tavira e do Parque Natural da Ria Formosa. O nome fala por si: uma faixa estreita de areia entre a ria e o oceano.
Sabia que? De Santa Luzia, o nosso Aqua Táxi atravessa para a Terra Estreita em poucos minutos.
Fontes: Ilha de Tavira (Wikipédia), Percurso «Os segredos e encantos da Ria Formosa», Câmara Municipal de Tavira
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Santa Luzia vista da Ria FormosaFoto: Titus Boat Tours 13Vila
Santa Luzia, a capital do polvo
Uma avenida comprida à beira da ria, com barcos de pesca e restaurantes de polvo. No cais empilham-se os covos e os alcatruzes, as armadilhas do polvo. Os barcos descarregam polvo, lulas, chocos, peixe e marisco.
A história
Os primeiros registos da povoação, fundada por pescadores, são de 1577. É a freguesia mais pequena do concelho de Tavira, com cerca de 850 hectares. A padroeira é Santa Luzia, mártir da Sicília e protetora dos olhos. A igreja matriz, do arquiteto algarvio Manuel Gomes da Costa, foi construída entre 1956 e 1958, no lugar de uma ermida do século XVI.
Sabia que? O polvo apanha-se com covos, armadilhas com isco, e com alcatruzes, vasos onde o polvo entra para se abrigar. Por isso chamam a Santa Luzia «a capital do polvo».
Fontes: Percurso «Os segredos e encantos da Ria Formosa», Câmara Municipal de Tavira, O polvo e as artes de pesca em Santa Luzia (Postal do Algarve)
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14Natureza
Viveiros de ostras, ervas marinhas e cavalos-marinhos
Na maré baixa, o fundo da ria fica à vista: filas de estacas, sacos de ostras e talhões de areia onde se cria amêijoa. Os viveiristas trabalham de botas altas, ao ritmo da maré. Debaixo de água, as pradarias de ervas marinhas abrigam peixes jovens, chocos e cavalos-marinhos.
A história
Na ria há cerca de 1300 viveiros de amêijoa e ostra, em 450 hectares, e daqui vem cerca de metade dos bivalves produzidos em Portugal. Os cavalos-marinhos foram, em 2001, a maior densidade conhecida no mundo; em 2018 a contagem mostrou uma queda de cerca de 90% numa década, sobretudo por apanha ilegal. Em 2020 criaram-se áreas de refúgio, onde é proibido navegar, e desde 2021 têm sido libertados cavalos-marinhos criados em cativeiro.
Sabia que? Há duas espécies de cavalo-marinho na ria: o de focinho comprido (Hippocampus guttulatus) e o de focinho curto (Hippocampus hippocampus). Nas duas, é o macho que fica «grávido» e dá à luz.
Fontes: Parque Natural da Ria Formosa: caracterização (ICNF), Os cavalos-marinhos da Ria Formosa vão ter refúgios (Postal do Algarve, 2019), Cavalos-marinhos aumentam na área protegida (Postal do Algarve, 2022), Cavalos-marinhos na Ria Formosa (Oceanário de Lisboa)
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15Natureza
Os flamingos das salinas
Nos tanques das salinas de Tavira juntam-se bandos de flamingos: pernas altas, pescoço comprido e bico curvo. Comem de cabeça para baixo, a remexer a lama com as patas e a filtrar a água com o bico. Quando levantam voo, aparecem as penas pretas das asas. Não gostam que se aproximem: do barco vêem-se bem, sem os assustar.
A história
O flamingo-comum (Phoenicopterus roseus) vê-se na ria todo o ano, mas há mais no outono, no inverno e na primavera. As salinas de Tavira são dos melhores sítios do Algarve para os ver, a qualquer hora, porque a maré mexe pouco com a água dos tanques. Os bandos que passam por Portugal costumam fazer ninho em Espanha, França, Itália ou no Norte de África. Em 2021, numa salina da Reserva do Sapal de Castro Marim, aqui perto, uma colónia de cerca de 3000 flamingos fez quase 800 ninhos e nasceram cerca de 550 crias, segundo o ICNF.
Sabia que? Os flamingos não nascem cor-de-rosa: os jovens são acinzentados, de patas escuras, e só ganham a cor por volta dos três anos. O rosa vem do que comem: algas e pequenos camarões das salinas, cheios de pigmentos. Em bando, fazem um barulho parecido com o dos gansos.
Fontes: Tavira Saltpans (Birdingplaces), Greater flamingos (Portugal Resident), Nasceram 550 flamingos no sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António (Postal do Algarve, 2021)
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16Natureza
As salinas de Tavira
Grandes tanques rasos, separados por muros de terra, em tons de branco, verde e rosa. No verão vêem-se os montes de sal acabados de colher. Nos tanques comem alfaiates, pernilongos, colhereiros, garças e, quase sempre, flamingos.
A história
As salinas ficam entre o Gilão e Santa Luzia, a cerca de 500 metros da barra de Tavira, e enchem-se só com água do mar. Ao longo do verão, o sol e o vento evaporam a água e o sal cristaliza. É colhido à mão. As salinas da Ria Formosa dão cerca de metade do sal marinho de Portugal. Desde 2013, o Sal de Tavira e a Flor de Sal de Tavira têm Denominação de Origem Protegida (DOP).
Sabia que? O rosa da água vem de uma microalga, a Dunaliella salina, um dos poucos seres que aguentam tanto sal. Produz pigmentos (carotenoides) que, com algumas bactérias, dão à água tons de laranja, roxo e rosa.
Fontes: O que ver nas Salinas de Tavira (idealista), Sal de Tavira e Flor de Sal de Tavira com DOP (Agroportal), Parque Natural da Ria Formosa: caracterização (ICNF), Percurso «Os segredos e encantos da Ria Formosa», Câmara Municipal de Tavira
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+Perto daqui
Praia do Barril e o cemitério das âncoras
A cerca de 2 km de Santa Luzia, por terra. Não faz parte do passeio de barco, mas vale a visita.
Em Pedras d'El Rei, uma ponte atravessa a ria e um pequeno comboio leva, pelas dunas, até à Praia do Barril. À chegada, 248 âncoras de ferro alinhadas na areia: o cemitério das âncoras. As antigas casas da armação são hoje restaurantes, bares e lojas.
A história
A armação do Barril (Armação dos Três Irmãos) foi fundada em 1867 por José Pires Padinha, de Tavira. Funcionava de abril a setembro e as famílias viviam no arraial. Em 1881 apanhou 46 825 atuns. Fechou em 1966. As âncoras seguravam as redes da armação no fundo do mar.
Sabia que? O comboio do Barril faz cerca de 1 km e nasceu para servir a armação. Quem preferir, faz o caminho a pé pelas dunas.
Fontes: A história da pesca do atum no Algarve (Barlavento), O cemitério à entrada desta praia algarvia (Postal do Algarve), Percurso «Os segredos e encantos da Ria Formosa», Câmara Municipal de Tavira
Escolha o percurso
Todos com barco só para si e skipper local. Preços por pessoa; cada barco paga no mínimo o preço de 3 adultos.
Saída: Tavira
Grande passeio: vilas históricas e piscatórias
cerca de 3h20Conforme a maré
Cacela Velha, Cabanas e Santa Luzia no mesmo passeio: o percurso mais longo pela ria.Tavira → Praia da Fábrica (Cacela Velha) → Cabanas → Quatro Águas e Ilha de Tavira → Santa Luzia → Tavira
Adulto 50 €Criança (4–11) 20 €Bebés grátis
Grupos: 6+ adultos −10% · 8+ adultos −15% · 10+ adultos −20%
Reservar este passeioSaída: Praia da Fábrica
Tavira e vilas piscatórias
cerca de 3h20Conforme a maré
O passeio mais completo a partir da Fábrica: Cabanas, a cidade de Tavira e Santa Luzia.Fábrica → Cabanas → Quatro Águas e Ilha de Tavira → Tavira → Santa Luzia → Fábrica
Adulto 50 €Criança (4–11) 20 €Bebés grátis
Grupos: 4+ adultos −10% · 6+ adultos −15% · 8+ adultos −25% · 10+ adultos −30%
Reservar este passeioVida na ria
Aves, peixes, marisco e plantas que se podem ver nos canais, nas salinas, no sapal e nas dunas. Se tiver binóculos, traga-os.
Flamingo-comum Phoenicopterus roseus
Filtra a água das salinas de cabeça para baixo. O cor-de-rosa vem do que come.
Colhereiro Platalea leucorodia
O bico em forma de colher varre o fundo de um lado para o outro.
Caimão Porphyrio porphyrio
Azul-violeta, de bico e patas vermelhos. É o símbolo do Parque Natural.
Chilreta Sternula albifrons
A mais pequena das andorinhas-do-mar. A maior colónia do país está na Ria Formosa.
Garça-branca-pequena Egretta garzetta
Toda branca, de bico preto e pés amarelos. Vê-se o ano inteiro nos canais.
Garça-real Ardea cinerea
A maior das garças da ria: espera imóvel e apanha o peixe num golpe rápido.
Garça-vermelha Ardea purpurea
Mais escura e esguia do que a garça-real, gosta dos caniçais.
Cegonha-branca Ciconia ciconia
Faz os ninhos em postes e chaminés e procura comida no sapal.
Alfaiate Recurvirostra avosetta
O bico fino, curvado para cima, varre a água de um lado para o outro.
Pernilongo Himantopus himantopus
Tem das pernas mais compridas das aves, em proporção ao corpo.
Maçarico-de-bico-direito Limosa limosa
Chega no inverno, vindo do norte da Europa, para comer no lodo da ria.
Maçarico-galego Numenius phaeopus
O bico comprido e curvo procura caranguejos e minhocas no lodo.
Borrelho-grande-de-coleira Charadrius hiaticula
Pequeno e rápido: corre na areia e pára de repente para apanhar comida.
Rola-do-mar Arenaria interpres
Vira pedras, conchas e algas com o bico, à procura de comida.
Pato-branco Tadorna tadorna
Um pato grande, branco, de cabeça verde-escura e bico vermelho.
Corvo-marinho Phalacrocorax carbo
Mergulha atrás do peixe e depois seca as asas abertas ao sol.
Guarda-rios Alcedo atthis
Um relâmpago azul rente à água, que mergulha atrás de pequenos peixes.
Coruja-do-nabal Asio flammeus
Caça em voo baixo sobre as salinas e o sapal, muitas vezes de dia.
Poupa Upupa epops
A crista em leque e o canto «pu-pu-pu» não enganam ninguém.
Pega-azul Cyanopica cooki
Anda em bandos barulhentos nos pinhais e jardins junto à ria.
Cavalo-marinho-de-focinho-comprido Hippocampus guttulatus
Agarra-se às ervas marinhas pela cauda. É o macho que fica grávido.
Cavalo-marinho-de-focinho-curto Hippocampus hippocampus
O mais raro dos dois na ria. Em 2022 foram libertados cerca de 150, criados em cativeiro.
Choco Sepia officinalis
Muda de cor num instante para se esconder. Na primavera aproxima-se da costa para pôr os ovos.
Polvo Octopus vulgaris
Três corações, sangue azul e oito braços cheios de ventosas.
Dourada Sparus aurata
Tem uma faixa dourada entre os olhos. Os juvenis crescem na ria.
Robalo Dicentrarchus labrax
Entra na ria para caçar e para crescer. É dos peixes mais procurados.
Sargo Diplodus sargus
Reconhece-se pelas riscas escuras e pela mancha preta junto à cauda.
Linguado Solea solea
Peixe chato que vive deitado no fundo, meio enterrado na areia.
Amêijoa-boa Ruditapes decussatus
A estrela dos viveiros da ria: vive enterrada na areia e filtra a água.
Ostra Crassostrea gigas
Cria-se em sacos e mesas nos viveiros e alimenta-se a filtrar a água.
Berbigão Cerastoderma edule
Vive a poucos centímetros de profundidade, nos bancos de areia e lodo.
Lingueirão Solen marginatus
Concha comprida como uma navalha. Enterra-se na vertical, muito depressa.
Caranguejo-violinista Afruca tangeri
O macho tem uma pinça enorme, que agita para chamar a fêmea.
Caranguejo-verde Carcinus maenas
Vive nos canais e no sapal e foge de lado, a grande velocidade.
Erva-marinha Zostera noltei
Forma pradarias no fundo da ria: abrigo de cavalos-marinhos e de peixes jovens.
Cimodócea Cymodocea nodosa
Uma das três ervas marinhas da Ria Formosa, de folhas compridas e estreitas.
Morraça Spartina maritima
Cobre as partes mais baixas do sapal, as que a maré alaga todos os dias.
Gramata Sarcocornia
Planta suculenta e salgada das partes mais altas do sapal.
Salgado Limoniastrum monopetalum
Arbusto de flores cor-de-rosa que aguenta o sal, junto às salinas e às dunas.
Cardo-marítimo Eryngium maritimum
Azul-prateado e cheio de picos, vive nas dunas das ilhas.
Narciso-das-areias Pancratium maritimum
Flor branca e perfumada que abre nas dunas no fim do verão.
Estorno Ammophila arenaria
As raízes compridas seguram a areia e ajudam a fazer as dunas.
Arméria Armeria pungens
Tufos de flores cor-de-rosa nas dunas, na primavera.
Cistanche Cistanche phelypaea
Não tem folhas verdes: vive de outras plantas e dá cachos de flores amarelas.
Ver o guia completo da Ria FormosaTodas as aves, peixes, plantas e sítios numa só página
A Ria Formosa
Uma lagoa costeira com cerca de 60 km de costa, da Península do Ancão à Manta Rota, protegida do mar por cinco ilhas-barreira e duas penínsulas. É a zona húmida mais importante do Algarve para as aves e é Parque Natural desde 1987.
- 60 kmde costa, do Ancão à Manta Rota
- 18 400 hade área protegida
- 2 mde profundidade média
- 1,5 a 3,5 mde diferença entre a maré cheia e a vazia
- +200espécies de aves
- +100espécies de peixes
- ½dos bivalves produzidos em Portugal
- ½do sal marinho de Portugal
Como se formou
Há cerca de 18 000 anos, no fim da última glaciação, o mar estava 120 metros mais baixo do que hoje. Com a subida do mar, os bancos de areia foram empurrados para terra, e as ilhas-barreira chegaram ao lugar onde estão há cerca de 7000 anos. Desde então nunca pararam: as barras abrem, fecham e andam para nascente, e as ilhas crescem de um lado e perdem areia do outro. Seis barras ligam a ria ao mar e, duas vezes por dia, a maré enche e vaza: cerca de 90% da ria fica a descoberto na maré baixa.
Os habitats
- Sapal Terra lodosa que a maré alaga: berçário de peixes, chocos e caranguejos.
- Salinas Tanques de sal onde se juntam flamingos e aves limícolas.
- Pradarias marinhas Três espécies de ervas marinhas: casa dos cavalos-marinhos.
- Bancos de areia e lodo Na maré baixa, mesa posta para as aves e zona de viveiros.
- Dunas Quase meia centena de plantas, das ilhas às penínsulas.
- Canais Os caminhos da água, por onde andam os barcos e os peixes.
Linha do tempo
- Há 18 000 anosO mar está 120 metros abaixo do nível atual.
- Há 7000 anosAs ilhas-barreira chegam ao lugar onde estão hoje.
- Séc. VIII a.C.Tavira, uma das primeiras povoações fenícias do ocidente.
- 1950É inaugurada a barra de Tavira, aberta pelo homem.
- 1978A Ria Formosa passa a Reserva Natural.
- 1987Passa a Parque Natural.
- 2010Um temporal rompe a península de Cacela e abre uma nova barra.
- 2020Criam-se áreas de refúgio para os cavalos-marinhos.
A bordo, cuidamos da ria Observamos as aves de longe e devagar, sem as levantar; não damos comida aos animais; não deixamos lixo; e da praia só levamos fotografias.
Fontes: Parque Natural da Ria Formosa: caracterização (ICNF), Ria Formosa, introdução (CIMA, Universidade do Algarve), Marés e circulação na Ria Formosa (LNEC), Parque Natural da Ria Formosa (Infopédia), Guia de boas práticas na Ria Formosa (CIMA, Universidade do Algarve), Os cavalos-marinhos da Ria Formosa vão ter refúgios (Postal do Algarve, 2019)
Como funciona
- Reserve online: escolha o percurso, o dia, a hora e o número de pessoas. Reservar não custa nada.
- Paga no embarque: dinheiro, cartão ou MB WAY.
- Chegue ao cais 10 minutos antes da partida. Há águas e snacks a bordo, oferecidos por nós.
- Nos percursos que dependem da maré, a reserva só mostra as horas em que o barco pode navegar.
- Reserva online até 2 horas antes da partida. Para hoje, ligue 965 890 566.
Extras a bordo (opcional): pedem-se na reserva e pagam-se com o passeio.
- Camarão cozido18 € / dose
- Vinho branco14 € / garrafa
- Vinho tinto14 € / garrafa
- Espumante18 € / garrafa
- Cervejas mini7 € / pack de 4
- Presunto e queijo18 € / tábua
Fotografias antigas e para saber mais
Para ver fotografias antigas e saber mais sobre a pesca do atum e a ria:
- «A Pesca do Atum no Algarve em 1898», o estudo do rei D. Carlos, digitalizado pela Biblioteca Nacional
- Núcleo museológico da pesca do atum, no antigo Arraial Ferreira Neto (Quatro Águas)
- Fotografias livres da Ria Formosa no Wikimedia Commons
As fotografias são da Titus Boat Tours e do Wikimedia Commons (com o autor e a licença em cada uma). Os factos vêm das fontes indicadas em cada paragem.
Perguntas frequentes
Vale a pena com crianças pequenas?
Tenho de pagar alguma coisa para reservar?
Quanto pagam as crianças?
E se o tempo não estiver bom?
Posso oferecer este passeio?
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